Arquivo | Janeiro, 2013

Quando for grande quero ser DJ (parte 2)

27 Jan

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“Dois gira-discos e um microfone”.

Era assim que, há 40 anos, se designava o equipamento básico dos primeiros DJ’s.

A primeira mesa de mistura, concebida expressamente para o uso de DJ’s, a famosa CMA-10-2DL, foi projectada em 1969 por Rudy Bozak (e mais tarde clonada por marcas famosas como a Rane) e foi a base para o desenvolvimento das técnicas que ainda hoje são usadas pela maioria dos profissionais.

Foi por essa altura que Francis Grasso, o DJ residente do Club Sanctuary,  em Nova York, começou a fazer as primeiras experiências com a técnica que hoje conhecemos por “acertar batidas” (beatmatching) e desenvolveu o “slip-cueing”, a arte de segurar um disco num ponto preciso, enquanto o prato roda, e largá-lo no momento em que se pretende uma passagem por “corte”, sem flutuações de velocidade.

1974, foi o ano do nascimento do que, ainda hoje, é o standard da indústria: o Technics SL-1200, por muitos considerado o melhor e mais fiável gira-discos do mundo.

Infelizmente, naquele tempo,  as novidades tecnológicas tardavam imenso a chegar a Portugal. Às vezes nem sequer chegavam. E, quando chegavam, custavam verdadeiras fortunas.

Por isso, dependíamos de arrojados “contrabandistas”, que em França, Inglaterra e Alemanha, obtinham as mais recentes novidades da electrónica aplicada às discotecas, e as faziam chegar ao nosso cantinho à beira mar plantado e recentemente revolucionado

O DJ, esse, praticamente não o era.

Trabalhávamos em verdadeiras “cabines”, com 4 paredes e um rasgão, tipo janela minúscula, que nos permitia ver a pista. Para “sentirmos” o som, tínhamos de sair e dar uma volta pela sala, além de estarmos atentos aos empregados de mesa (naquele tempo não havia “apanha-copos”) que nos faziam sinal para dizer se o som estava demasiado alto (ou baixo).

Em Portugal não havia superstars. Não havia freelancers, não havia managers, não havia agenciamento, nem havia cachets milionários. Ás vezes, nem cachet havia. E quase ninguém sabia o nome do Disc Jockey, excepto os amigos mais chegados e os clientes habituais.

Havia alguns tipos verdadeiramente dedicados, que amavam a música e aproveitavam todos os momentos e oportunidades para mostrar do que eram capazes e, sobretudo, fazer autênticos milagres com os poucos recursos existentes.

Nunca me hei-de esquecer da primeira vez que me vi sozinho na cabine do antigo P.A. (em Angeiras-Matosinhos), com 2 gira-discos Philips e uma caixa plástica com um grande botão de rodar, fixa no balcão, virada para o meu umbigo, que servia para “alternar” o som, entre os dois pratos.

Não havia pré-escuta, nem sequer auscultadores (o termo “phones” passou a usar-se muito mais tarde). Apontávamos a agulha às primeiras espiras e deixávamos rolar. As mudanças de tom na superfície do disco indicavam-nos os pontos de “break”, que tínhamos de aproveitar para fazer a mistura, que mais não era do que baixar a agulha do disco que ia entrar e rodar o tal botão 360 graus, para a esquerda ou para a direita, conforme o caso.

Ainda no P.A., tive o meu baptismo com uma verdadeira mesa de mistura de 4 canais e pré-escuta, que um amigo do antigo dono da discoteca tinha comprado na “Lido Music” em Paris.

Arranjar música  era, igualmente, problemático.

Não bastavam as edições nacionais. Além de fracas, chegavam sempre com meses de atraso.

Quem ia a uma discoteca, esperava ouvir os mesmos êxitos que faziam vibrar as pistas da Europa e dos Estados Unidos.

O “Disco Sound” tinha surgido em força e para ficar.

Este novo “som”, com influências Soul e Funk, rapidamente ocupou os lugares cimeiros nas charts americanas e europeias, dando origem à reconversão dos clubs de dança em discotecas.

Ao contrário dos Clubs dos anos 60, cuja oferta musical era baseada na performance de bandas ao vivo, as discotecas começaram a usar DJ’s, que seleccionavam e misturavam os grandes êxitos da época, de forma contínua e sem os célebres “intervalos” para os músicos descansarem.

Nós, os pioneiros do DJing em Portugal, para arranjarmos os hits do momento, tínhamos de recorrer a Espanha, onde eu ia todas as semanas, procurar as melhores “malhas”, e onde passava horas a ouvir pilhas de discos e a “destrocar” pesetas.

Perdi a conta às vezes em que saí de Vigo directamente para a discoteca, num percurso que nem sequer sonhava com auto-estradas ou SCUTS, só pelo prazer de pôr a tocar em primeira mão o “Supernature” do Cerrone, ou o “Don’t let me be misunderstood” na versão dos Santa Esmeralda.

O verão de 1982 veria o início do declínio do Disco Sound, e o surgimento de um novo tipo de entertainer: o VJ, ou Video Jockey, pela mão da MTV, que tinha iniciado as suas transmissões um ano antes.

O Video Jockey era o jovem apresentador que, de forma irreverente, e às vezes até insolente, introduzia os videoclips que divulgavam as charts semanais.

Nesse mesmo ano dá-se o que é considerado por muitos como o “Big Bang” do áudio digital, com o surgimento dos primeiros leitores de CD e respectivas edições de música.

É ainda na década de 80 que nasce a nossa bem conhecida “House Music”, assim denominada por ter sido ouvida pela primeira vez numa discoteca de Chicago, chamada “Warehouse Club”, onde o residente, o DJ Frankie Knuckles, misturava velhos clássicos do Disco Sound com Eurosynth Pop (a que nós, na gíria, chamávamos Euro-Cheese).

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Por essa altura, em Nova York, surge um novo estilo que tem como mentor Larry Levan, o DJ residente do célebre Paradise Garage, que é baptizado, exactamente, de “Garage”.

Foram as influências do House de Chicago e do Garage de NY que determinaram o aparecimento do Techno, em Detroit, uma sonoridade puramente electrónica, que combinava elementos de ambas as correntes e se distanciava totalmente das raízes do Disco Sound.

O ano de 1985 vê também surgir a primeira edição da Winter Music Conference (WMC), em Fort Lauderdale, Florida, que entretanto se mudou para Miami e, ano após ano, se tornou na “Meca” dos Disc Jockeys de todo o mundo.

Por cá, a década de 80 viu nascer discotecas míticas, como a “Mirasol”, extensão do Hotel Mirasol, na Praia de Miramar, onde fui o primeiro DJ residente, a incontornável Swing, a Twins e muitas mais que fazem parte das nossas memórias, de que falarei para a próxima.

JCF
(Abril/2010)

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Quando for grande quero ser DJ (Parte 1)

22 Jan

Não é preguiça de escrever novo material. É divulgação.
Há 3 anos escrevi uma série de artigos com o título genérico “Quando for grande quero ser DJ” para a revista Noite.Pt que os publicou em Março, Abril e Maio de 2010.
Como os direitos de autor são meus (nunca estabeleci qualquer tipo de acordo de cedência de direitos, nem recebi um tusto que fosse pela publicação), aqui vai o primeiro de uma série de 3 artigos com a minha visão e memória do tempo em que ninguém sabia o nome do DJ.
Quem já leu na revista, pode aguardar pela próxima semana até eu escrever alguma coisa nova.
Quem não leu, tem agora a oportunidade de ficar a conhecer uma faceta minha que desconhecia.
E, se gostarem, um “Like”zito não custa nada e alimenta o ego.

 

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Quando for grande, quero ser DJ

“Quando for grande, quero ser DJ”, não é uma frase muito ouvida.
Pela minha parte, acho que nunca a ouvi da boca de algum miúdo.
Mas, canso-me de ouvir (e de ler): “o DJ fulano de tal desde muito jovem que se lançou no mundo da música, tendo iniciado a sua carreira (?) há (4 ou 5) anos.”
No mínimo, acho estranho que alguém “desde muito jovem” se inicie no DJing, porque legalmente só aos 16 anos é que podem entrar em discotecas, mas também sei que há quem tenha uma “visão alargada” e jure a pés juntos que, ao puto de 13 anos a precisar urgentemente de clerasil, toda a gente dava pelo menos 18 e por isso é que o deixou entrar.
Depois, em (4 ou 5) anos (ou até 8, ou 10) dificilmente se constrói uma carreira de DJ.
Quando muito, dão-se a conhecer no meio e vão ganhando alguma experiência, quando têm a sorte de conseguir tocar (de borla) para outro público que não os amigos da escola.
Virtuosos, há poucos. Talentosos, vai-se encontrando. Trocadores de discos, são aos montes, graças à facilidade tecnológica com que, hoje em dia, qualquer um se auto-denomina DJ.
Felizmente nem sempre foi assim.
Quando, em 1909, Ray Newby se tornou no primeiro Disc Jockey de rádio, ao transmitir com regularidade discos gravados com temas interpretados por Caruso, na pequena cidade de Stockton, na California, ninguém imaginava que, 100 anos mais tarde, desse origem a uma actividade que movimenta milhões (de pessoas e às vezes de dólares, ou euros, conforme o caso).
Foi em 1935 que o comentador de rádio americano Walter Winchell usou pela primeira vez o termo “disc jockey” (aglutinação de “disc” no sentido de disco gravado, com “jockey” ou aquele que opera uma máquina) para se referir ao locutor de rádio Martin Block, considerado como um dos primeiros superstar do ramo.
Enquanto os ouvintes aguardavam avidamente por notícias sobre o desenrolar do célebre rapto do bebé Lindbergh, Block fazia tocar discos gravados e criava a ilusão de que estava a transmitir a emissão a partir de um salão de baile onde as principais bandas da época tocavam ao vivo.
O termo “disc jockey” apareceu, pela primeira vez impresso na revista Variety em 1941.
Tinha nascido o DJ.
Mas o mundo ainda tinha de esperar até 1947 para ver surgir o primeiro DJ de pistas de dança:
Ron Diggins, o pai da primeira “cabine de DJ”, que baptizou de “Diggola”.
Era uma verdadeira obra de Art Deco, equipada com 2 gira-discos de 78 rpm, misturador de sons, microfone, luz, amplificador com 30W de potencia e 10 altifalantes.
Demorou seis semanas a ser construída, com tábuas de caixão, pois naquele tempo de pós-guerra havia muita dificuldade em arranjar madeira prensada, adequada ao projecto.
Teve tanto sucesso que, nos anos seguintes, construiu mais seis Diggolas e viu-se forçado a assinar um acordo com o sindicato dos músicos, que o impediu de “tocar” nos grandes salões da época, por receio de afastar completamente as bandas que costumavam animar os bailes naquele tempo.
Foi, no entanto, a forma talentosa como seleccionava a música, que fez dele um ícone incontornável, que terminou a sua carreira em 1995, depois de ter tocado em mais de 20.000 festas.
Nos EUA e em Inglaterra, era assim.
Em Portugal, não era bem assim.
Além de estarmos “orgulhosamente sós”, estávamos praticamente na idade média da tecnologia, quando os americanos já pisavam a lua.
Nos finais dos anos 60, época em que, como todo o adolescente que se preza, comecei a ir a bailes de carnaval e afins, o DJ, pura e simplesmente, não era.
A música era preparada em longos serões, que antecediam esses grandiosos bailes, por aficionados que seleccionavam os sucessos da época, geralmente interpretados pelas grandes orquestras de Frank Pourcell ou James Last, sem esquecer o famoso saxofone de Fausto Papetti, e os gravavam em longas bobines de fita magnética que iriam fazer as delícias de quantos tivessem a sorte de estar presentes.
Nesse tempo só me contentava em “ver” e admirar a destreza com que aqueles “técnicos de som” criavam as fitas mágicas, que iriam debitar música durante horas a fio, graças a um amigo do meu pai, que trabalhava na Emissora Nacional.
Foi o impulso necessário para passar a dedicar o meu tempo livre (e o que roubava aos estudos) a azucrinar a paciência das empregadas da discoteca Arnaldo Trindade, da Valentim de Carvalho e da discoteca Santo António.
O ritual era sempre o mesmo: começava por perguntar pelas “novidades” (que chegavam cá com pelo menos um ano de atraso), seguia para os escaparates onde, pacientemente, procurava as musicas que tinha ouvido na rádio, fazia uma pilha de “singles” e esperava que uma das cabines ficasse livre, para finalmente ir ouvir os sons que faziam vibrar a juventude dos princípios dos anos 70.
As gravações nacionais, produzidas, quase todas, pela Fabrica de Discos Rádio Triunfo, eram um monumento ao ruído estático, ou “ovos estrelados” como nós dizíamos, mas como não havia melhor, de vez em quando lá comprava um 45, muito bem escolhido, para acrescentar à colecção.
A época era de “slows” e quanto mais melosos, melhor.
As festas, essas, eram todas as semanas, aos sábados e domingos à tarde, pois as miúdas raramente podiam sair à noite.
Nessas matinés, a um slow sucedia-se outro, reproduzido num gira-discos Philips, que ficava a cargo do desafortunado que não tinha “par”.
Afortunadamente, calhou-me uma série de vezes ficar de serviço ao gira-discos (só havia um), ou porque a miúda não tinha podido sair de casa, ou por não ter arranjado miúda para ir à festa, o que me foi “aguçando” o engenho para criar majestosas selecções musicais… para os outros dançarem bem agarradinhos.
De vez em quando lá metia umas “rockadas” para os fazer sacudir a tensão, mas o que dava era mesmo o “slow”.
Mesa de mistura, só no centro de controle espacial da Nasa. Pré-escuta, era a nossa memória auditiva, de tantas horas passadas a ouvir os mesmos discos.
Mas fazíamos sets fantásticos com a musica dos The Who, Jethro Tull, Status Quo, Wallace Collection, Deep Purple ou Santana.
A discoteca de referência daquele tempo era a D. Urraca, e a Batô começava a dar os primeiros passos, mas disso falarei numa próxima vez.

JCF
(Março/2010)

Assim vai a crise!

20 Jan

Há mais de 20 anos que ouço falar na “crise”.
E há mais de 20 anos que, olhando à minha volta, vejo a crise a ser ultrapassada, de formas mais ou menos criativas e com mais ou menos esforço.
Não quero, de forma alguma, ignorar a real crise que se vive no nosso país, que se pode definir com 3 palavras apenas: “cada vez mais”.
Cada vez mais desemprego, cada vez mais impostos, cada vez mais inflação, cada vez mais insegurança. Mas, também, cada vez mais desenrascanço, cada vez mais “artistas”, cada vez mais falta de qualidade e cada vez mais aproveitamento.
Apesar da crise, continuam a haver casamentos e há cada vez mais “feiras” de casamento, sinal de que o mercado continua activo e de boa saúde.
Hoje quero apenas expor e desmistificar alguns efeitos da “crise” e lançar um alerta sobre algumas atitudes impensadas que começam a surgir, cada vez mais, fruto do pânico e do aproveitamento da situação.
Quando o pânico se instala entre os profissionais, a primeira tendência é baixar os preços, para angariar clientes.
Esta prática chama-se deflação e é o contrário de inflação (em que os preços sobem).
Em termos reais, resulta numa estagnação do mercado, com os “clientes” a aguardar que os preços baixem até ao limite do impensável e os fornecedores a baixar cada vez mais os preços, numa tentativa de angariar trabalho.
Quem beneficia com isto?
Ninguém.
O verdadeiro profissional vê-se pressionado pelos “profissionais de fim-de-semana” (que têm o rendimento familiar garantido por uma qualquer actividade que exercem em horário regular e que nada tem a ver com a animação, havendo até casos extremos em que fazem questão de dizer que “trabalham” na empresa XPTO, como se isso tivesse alguma coisa a ver com a qualidade do serviço que prestam) que, na desmedida ânsia do dinheiro extra e fácil, tratam logo de baixar os (já de si baixos) preços praticados.
Os potenciais clientes, normalmente casais de noivos, numa estranha combinação, partem em busca de orçamentos o mais baixo possível, sem qualquer preocupação com a qualidade.
E também não ganham nada, pois, garantidamente, quanto mais baixo for o orçamento, mais duvidosa será a qualidade do artista”.
E não fecham contrato com ninguém, sempre à espera que apareça um orçamento ainda mais baixo, ou com um desconto simpático.
É por isso que nos anúncios de fornecedores, cada um usa os adjectivos mais apelativos, para promover os seus serviços, numa área de mercado cada vez mais competitiva e onde começa a valer quase tudo (ou mesmo tudo).
O que é grave, não é o recurso a termos como “one man show”, nem a concorrência.
A concorrência é sinónimo de diversidade e é o que permite distinguir os bons profissionais dos profissionais menos bons (ou até francamente maus).
Por outro lado, em todas as culturas vemos exemplos de sucesso de verdadeiros “one man show”.
São pessoas talentosas, que merecem todo o respeito dos colegas de profissão.
Porém, há uma certa “zona cinzenta” onde se começam a incluir cada vez mais “profissionais”.
Nessa “zona cinzenta” estão os “génios” que imitam todas as vozes, tocam 7 (ou mais) instrumentos e ainda “põem CD’s a tocar”, no fim.
Ou seja, já não lhes basta competir no campo específico da “música ao vivo” onde “só quem tem unhas é que toca guitarra”, como começam também a meter-se em áreas que não lhes dizem respeito.
Além de desrespeitarem os DJ’s.
Seria bom que, de uma vez por todas, houvesse entendimento global quanto ao papel de cada um.
Sem músicos (de preferência talentosos) os DJ´s não teriam material para usar nos seus “Gigs”.
Mas, sem DJ´s a valorizar devidamente os trabalhos dos músicos, não haveria divulgação desses mesmos talentos.
É um circulo.
Que não devia ser vicioso.
Por isso, deixem de apregoar que fazem tudo e mais alguma coisa.
Isso não é uma mais-valia.
É uma menos-valia.
Não há cantores/ Dj’s, nem músicos/Dj’s, nem Karaoke Jockeys/Dj’s, nem animadores/DJ’s.
Há, isso sim, cantores que põem a tocar uns CD’s, músicos que quando estão cansados põem a tocar uns CD’s e Karaoke Jockeys (um nome engraçado para cantores amadores) que, entre duas sessões de tortura auditiva, põem a tocar uns CD’s.
Mas, nenhum é DJ.
Apesar de muitos se anunciarem como tal.
DJ não é quem quer, nem quem “tira um curso”, como se fosse um curso de culinária.
DJ é quem nasce com o necessário “feeling”. Quem, acima de tudo, ama a música. Toda a música. Quem sabe escolher a música. Quem conhece toda a música.
É quem, intuitivamente, sabe conjugar a música dos diferentes “músicos” e transformá-la num TODO que, visto (e ouvido) à distancia, resulta numa fusão perfeita de diferentes estados de alma.
Um bom DJ não precisa de “mandar bocas” para disfarçar os “pregos”.
Não é animador. É muito mais que isso.
Se for necessária a interacção com o público, deve recorrer-se a um MC (acrónico de Mestre de Cerimónias).
O “MC” conversa com o público, puxa pelo público, brinca com o público, canta com o público.
É o elo de ligação entre o público e o DJ.
Mas não substitui o DJ. Nem é o DJ.
O verdadeiro DJ é “mudo”, porque tem de estar concentrado naquilo que é mais exigido dele: observar reacções e decidir na hora qual o rumo que a festa deve tomar.
E um verdadeiro profissional até nem é muito mais caro.
Por vezes, uma diferença de 100 euros, é a diferença entre a garantia de um bom serviço e um serviço garantidamente mau.
Infelizmente essa diferença só se vê no dia do evento, quando já não é possível fazer nada.
Quando eu era miúdo, ouvia dizer: “cada macaco no seu galho”.
Agora há cada vez mais macacos a querer ocupar todos os galhos.

Porquê escolher um DJ?

18 Jan

A escolha do tipo de entertenimento com que irá culminar a sua festa, é uma das decisões mais importantes com que os noivos se deparam.
A animação que escolherem, fará com que o evento seja relembrado tanto pela positiva, como pela negativa.
Ao pesquisar as diferentes opções de mercado, não tenha em conta apenas o preço da animação, mas sobretudo o que irá receber pelo preço a pagar.

Antes de tomar qualquer decisão, procure responder a estas simples perguntas:

  • Se vou convidar 100 ou 200 dos meus familiares e amigos mais chegados, será que quero que tenham um dia “agradável”, ou um dia “inesquecível”?
  • Será que as “lembranças” que vou distribuir pelos convidados vão fazer com que o meu casamento fique na memória de todos?
  • Será que na realidade o sucesso da minha festa está dependente da qualidade da animação que eu contratar e não tem nada a ver com o Catering ou com a “Quinta”?

Talvez inicialmente tenha pensado em contratar uma banda para animar o seu casamento, mas há certos aspectos importantes que deve ter em conta:

  • Uma banda custa-lhe, geralmente, mais do que um DJ profissional;
  • Uma banda tem um repertório limitado. Mesmo uma grande orquestra (com cachets proporcionais) não toca tudo o que você ou os seus convidados se lembrarem de pedir;
  • Uma banda Cubana (que até está na moda) só toca música latina;
  • Uma banda tem obrigatóriamente de fazer intervalos para os músicos descansarem e nesse entretanto, põem a tocar um CD com música gravada, que nem sempre vai de encontro aos gostos e preferências dos seus convidados;
  • Se a banda tiver apenas um vocalista, de certeza que se vai fartar de ouvir todas as músicas cantadas com a mesma voz. A coisa complica-se mesmo se em vez duma banda considerar um duo masculino ou um “one man show”. (Por exemplo, músicas da Madonna cantadas por uma voz masculina, não agradam a ninguém!);
  • Uma banda vai-lhe pedir para providenciar as refeições para todos os elementos, o que nem sempre se limita aos músicos, mas também aos stage boys e muitas vezes às respectivas namoradas/esposas. Uma banda de 4 elementos chega fácilmente aos 8 ou 10. E esse é o número de refeições que terá de lhes pagar, pois quase sempre o Catering se descarta e no fim apresenta-lhe a conta. Àquele preço “simpático” que negociou com o lider da banda, não se esqueça de acrescentar a conta das refeições (que muitos Catering cobram a pelo menos 50% do valor acordado para cada convidado).

Agora que já começa a encarar sob outra perspectiva a contratação de um DJ,  recordamos-lhe o que deve exigir de um verdadeiro profissional:

  • A capacidade de se adaptar às exigências particulares de cada evento
  • O profundo conhecimento de música de diferentes épocas, dirigida a diferentes faixas etárias e saber quando e como as usar
  • A atenção ao desenrolar de todas as fases da festa e a capacidade para cumprir escrupulosamente todas as indicações préviamente recebidas
  • A capacidade para trabalhar harmoniosamente com todos os profissionais que se ocupam do seu casamento (por ex. fotografos, videografos, chefes de sala, empregados de mesa, etc.)
  • Estar equipado com material profissonal de boa qualidade (algumas colunas de material plástico são muito bonitas mas debitam um som horrível) e garantir um backup eficaz em caso de avaria
  • Ter a sua actividade legalizada perante as autoridades que tutelam a área e utilizar registos originais, para evitar dissabores no dia do evento, se de repente surgir uma fiscalização
  • Estabelecer um contrato escrito que proteja os direitos e deveres de ambas as partes

Muita gente encara o DJ como um individuo que põe música a tocar e faz alguns anúncios, quando necessário.

Este tipo de atitude faz com que se pense que todos os DJ’s são feitos pelo mesmo molde e consequentemente são todos iguais.
Nada mais errado!

Nos últimos anos tem-se assistido a uma oferta desmesurada no campo da animação executada por DJ’s, fruto da proliferação de cursos de DJ, à semelhança do que aconteceu há uns anos com os cursos de manequim.

Tal como no mundo da moda nem todos conseguem pisar as passereles, no mundo da música nem todos atingem o patamar do DJ profissional reconhecido públicamente e não é graças a cursos de 3 meses (ou até de 6, ou de 12) que obtêm a “bagagem” necessária para enfrentar os desafios de uma pista. São necessários anos de experiência.

Como se isso não bastasse, a evolução tecnologica veio permitir que qualquer amador instale um programa de “digital DJ” no seu laptop, acrescente um controlador básico (que já se compra por cerca de 50,00 euros), um par de colunas amplificadas e… voilá! Já se consideram aptos a “ganhar uns trocos” a animar casamentos, convencidos de que basta tocar o “Danza Kuduro”, o “Ai se te pego” e o “Apita o comboio” para fazer a festa!

Devido a esta vulgarização indiscriminada, o mercado encontra-se saturado com um excesso de oferta que, lamentávelmente, é de fraca ou nenhuma qualidade. Todos querem “trabalhar” a todo o custo e a qualquer preço.

Não é dificil encontrar supostos “DJ’s” que anunciam preços entre os 100 e os 300 euros, sem limite de tempo e com karaoke incluído!

Pechinchas destas devem ser encaradas com muita cautela.

Já diz o povo: “Quando a esmola é grande, o pobre desconfia”.

E tem todos os motivos para desconfiar, senão, vejamos:

  • Um DJ Profissional tem de ter a actividade registada nas finanças e pagar impostos, sendo obrigado a passar factura pelos serviços prestados.
  • Um DJ Profissional utiliza equipamento profissional, o que obriga a um investimento avultado.
  • Um DJ Profissional é obrigado a comprar a música original (normalmente CD’s, Mp3 ou Vinil) e fazer prova disso.

Perante isto, que lucro têm afinal estes “paraquedistas”? Com que meios “trabalham”? Que acontece se, a meio da festa, o equipamento avariar? E se, no dia da festa, aparecer uma inspecção da ASAE?

A resposta é garantidamente: o dia mais importante da sua vida completamente arruinado.
E tudo porque ao invés de procurar qualidade e um profissional credenciado,  se preocupou em contratar o “mais baratinho” que encontrou.

Nunca se esqueça que “o barato sai caro”.

Tenha isto em mente quando analizar os orçamentos que lhe apresentarem.

Não queremos com isto dizer que deve escolher o orçamento mais caro, pois de forma alguma terá garantida a melhor qualidade.

Tenha como certo que uma animação de qualidade, prestada por um profissional, lhe vai custar a partir de 500 euros.

E se pensar que, por hipótese, vai convidar 100 pessoas e por cada uma terá de pagar entre 50 e 100 euros (dependendo do local, do Catering e da ementa escolhida), talvez não ache tão caro pagar apenas 5 euros por pessoa para ter um dia inesquecível!

E se em vez de 100, convidar 120, 150 ou 200… o preço por pessoa vai baixar proporcionalmente.

Podíamos continuar a enumerar razões para lhe demonstrar que deve sempre optar por um profissional credenciado, mas achamos que o acima exposto é mais que suficiente.

Terminamos com uma breve análise do fenómeno “Karaoke em Casamentos” que desde há 3 ou 4 anos a esta parte tem vindo a invadir as bodas mais populares.

Sendo uma importação do Japão, onde tem um êxito estrondoso em bares e clubes, o karaoke é uma forma de expressão musical direccionada aos amadores do canto que pretendem dar a conhecer os seus (quase sempre maus) dotes vocais.

Se, para os apreciadores, as “noites de karaoke” são divertimento garantido uma vez que geralmente só as vozes mais afinadas se atrevem a dar espectaculo, o “karaoke em casamentos” acaba por ser uma espécie de “festival da canção” de nível duvidoso em que alguns fazem tristes figuras, alguns aplaudem e quase ninguém se diverte.

Para terminar, deixamos-lhe um pensamento:

Um bom fotografo poderá dizer-lhe: “Nós captamos momentos que duram uma eternidade”.
Mas é a qualidade da animação que cria alguns dos momentos que o fotografo capta.

E fez-se Luz!

18 Jan

Tinha de ser.

Cada vez mais fartos de ver casais de noivos a tomar más decisões, decidimos dar uma ajuda para que a contratação de um DJ seja um processo fácil e eficiente.
Aqui iremos publicar artigos de opinião, conselhos, dicas e tudo o mais que se relaciona com a animação de um casamento.
Fiquem atentos.
Vamos desvendar muitos segredos e desfazer muitos mitos.