Arquivo | Abril, 2013

Mais uma introdução à crise

25 Abr

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Vamos falar da “crise”.

Ou melhor, vamos falar das diversas “crises” que estão a ser originadas pela “crise”.

Por mais que nos esforcemos por  provar o contrário, a verdade é que a animação é o “parente pobre” de qualquer orçamento para a organização de um casamento.

E, no entanto, é o mais recordado, juntamente com a “comida” servida pelo catering, se acreditarmos nas estatísticas e na memória dos convidados, um ano depois do casamento.

De qualquer casamento.

Mas, a “crise” obriga a apertar alguns cintos. E, qual o primeiro cinto a apertar?

O da animação, é claro.

Alguém, um dia, se convenceu que os animadores de casamentos (ou MOBILE DJ’s) ganham balurdios de dinheiro.

Há até quem afirme que os animadores ganham mais num dia (ou numas horas), do que muito boa gente ganha num mês de esforçado trabalho.

Esquecem-se do pesado investimento que um verdadeiro profissional tem de fazer, para se manter competitivo.

Para lhes “dar razão” até é com a maior facilidade que encontram “profissionais de fim-de-semana”, ou “paraquedistas”, que a troco de meia duzia de tostões prometem animar este mundo e o outro.

E os noivos, na dúvida e na falta de informação, acabam por contratar o serviço em promoção e a preço de saldo de um “profissional nas horas vagas”.

E tanto podem contratar um bom trabalho, como uma carga de trabalhos e transformar um “dia de sonho” num “filme de terror”,  com os convidados a debandar ainda antes do corte do bolo.

Sempre se disse e continua a dizer-se: o barato sai caro. Mas, infelizmente, há cada vez mais gente a acreditar na frase mágica: “low cost”.

E este “low cost” tem as “costas” cada vez mais largas.

Começou pelas lojas de chineses, avançou para as viagens aéreas, para os hoteis, para os restaurantes e tinha de chegar à animação de eventos, promovido por incompetentes sem experiência que pensam ter descoberto uma “mina” e montaram um esquema atractivo, para aliciar incautos.

O ridiculo chegou ao ponto de haver “profissionais” a anunciar que fazem animação de eventos por 50,00 euros! E “empresas” a propôr packs de 100,00 Euros com tudo incluído!

Estará tudo doido? Ou a aflição é tanta que qualquer dia aparecem anuncios de animação em troca de comida?

E, lamentavelmente, já não é só a falta de conhecimento que motiva muitos noivos a contratar este tipo de “profissionais”. Agora é, também, a ganância e o oportunismo, que os leva a pensar que estão a fazer um grande negócio a contratar um tipo sem curriculum e completamente desconhecido, só porque lhes apresentou um orçamento ridiculamente baixo.

Felizmente ainda há bom senso entre os profissionais (verdadeiros) e todos concordam que o género de cliente descrito no parágrafo anterior não nos interessa nem à semana!

O que é pena, pois a missão de um profissional é prestar um bom trabalho em troca de uma remuneração justa.

Há gostos para tudo e não podemos exigir que todos os noivos sejam fans de 80’s, 90’s, Pop/Rock e R&B. Há grandes apreciadores do género “pimba” e até para esses existem profissionais conhecedores e dedicados.

Mas, por favor, não chamem DJ a um individuo que “tirou um curso” há 15 dias, que arranjou um “traktor” e umas colunas fatelas ou que, por gostar muito de karaoke, resolveu investir num equipamento em segunda-mão e angariar clientes com a “promessa” de uma animação deslumbrante!

Esses são os “papa-orçamentos” que no dia do evento fazem como o David Carreira no célebre filme que se tornou viral no Youtube: esquecem-se de ligar o equipamento todo, nem precisam de phones e fazem misturas telepáticas enquanto batem palmas e demonstram coreografias.

Depois não se queixem.

JCF