Arquivo | Maio, 2013

O fenómeno dos preços simbólicos, ou a baixaria que vai nos preços.

24 Maio

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O raio da crise é desculpa para tudo o que, num mundo normal, nem deveria existir!
A crise gera desemprego.
O desemprego gera habilidosos.
E, hoje em dia, o que é que qualquer habilidoso quer ser? A resposta é simples: Quer ser DJ ou então animador de casamentos (conforme a idade e a “rodagem” que tenham).
Alguns habilidosos até nem investem em equipamento, para ver se a coisa pega.
Conhecem alguem já estabelecido no mercado e toca de pedir emprestado, porque é para desenrascar o casamento de um “primo” ou outro parente afastado.
Cachet? é o que o cliente estiver disposto a pagar.
Já vi noivas(os) a afirmar que só podem dispor de 100,00 ou 150,00 euros para a animação.
Acho que, de quem anuncia que só pode gastar 100,00 ou 150,00 euros na animação do casamento (e mesmo assim quer mundos e fundos!), se deve esperar que faça a boda no McDonalds mais próximo e ofereça um McMenu do dia a cada convidado.
Mas, o que é grave, é que há sempre um habilidoso que aceita e se dispõe a ir fazer a festa por 100,00 ou 150,00 euros, ou até menos!
Os noivos cada vez são mais permissivos quanto à qualidade.
O que querem é ouvir 50 vezes o ai se te pego e o tchéréré, umas pimbalhadas e, sobretudo, um “animador” que diga umas graçolas e faça “coreografias”, tudo o mais barato possivel e de preferência com um desconto simpático.
Felizmente não vai tardar muito (dou, no máximo, até ao fim do ano) para os noivos abrirem os olhos de uma vez por todas e deixarem de acreditar em “preços simbólicos”, “descontos simpáticos” e “orçamentos Low-Cost”.
Se tudo “sobe”, por que raio é que o valor da animação de um casamento tem de “descer”??
Sobem os bens essenciais, sobem os combustiveis, sobem as portagens, sobem os impostos e os cachets dos músicos e dos DJ’s (e dos faztudo/DJ, já agora) em vez de subir também, tem de descer?? Que raio de economia é esta??
Pelos vistos há cada vez mais “músicos”, “Dj’s” e afins que não comem, não gastam combustivel, não pagam renda, circulam de borla nas auto-estradas e não pagam impostos (e também não compram música, nem equipamentos!).
Só assim se compreende os preços vergonhosamente baixos que praticam e o descaramento dos noivos que “só podem” pagar uma esmola ao tipo que lhes vai lá por a música a tocar e ainda tem de fazer de palhaço, coreografo e babysiter!
Haja moralidade, por favor!
Valorizem quem se dedica a esta actividade a 100% e deixem de acreditar no pai-natal dos preços baixos!

JCF