Arquivo | Março, 2014

A feira e as vaidades: cuidado com as contratações!

23 Mar

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Há coisas nesta vida que são tão apreciadas como imitadas.
Toda a gente conhece as versões “feira” dos pólos Ralph Lauren, das sapatilhas Nike, das Sweat’s Gant ou dos relógios Breitling.
Os originais são tão apreciados e para algumas bolsas inacessíveis, que o mercado da contrafacção cedo se dedicou a copiá-los, imitá-los e vende-los mais barato que tremoços.
É a “democratização” das marcas que investem forte na qualidade dos materiais, na inovação e na garantia de satisfação do cliente, entre muitos outros aspectos.
Quem compra “faz bonito” durante algum tempo. Pouco.
Depois vem a desilusão.
As cores desbotam, as malhas ganham borboto, as solas descolam e os relógios atrasam-se.
É barato, mas não presta.
É o que acontece actualmente no mundo da música, com particular incidência na música para casamentos.
Há dias vi uma T-Shirt com esta frase estampada: “EU CONHEÇO UMA PESSOA QUE NÃO É DJ”.
É verdade. É triste. É grave.
Actualmente toda a gente quer ser ou acha ser DJ.
Eu sei que há uma certa áurea de protagonismo associada à profissão, mas tal como as contrafacções da feira, nem todos os DJ’s o são realmente.
A maioria são Pseudo-DJ’s.
Da mesma forma que o simples facto de cantarmos no banho ou nas maratonas de SingStar não faz de nós um cantor, também a aquisição de um programa de computador que imita o equipamento de um DJ não é garantia das habilidades do artista.
Há tempos, no Brasil, lançaram uma campanha, também com recurso a T-Shirts, cujo lema era: “EU SOU CONTRA FAKE DJ’S”.
E porquê?
Porque realmente, tanto lá como cá, todos se julgam DJ’s. É um fenómeno global.
Uns porque sim.
Outros porque “tiraram um curso”.
Outros porque ouviram dizer que “meter música em casamentos” é a via mais fácil para a fama e riqueza.
Estes últimos tão depressa surgem como logo de seguida desaparecem, graças à inexperiência, à falta de jeito, ao equipamento “doméstico” e à falta de conhecimento.
Conseguem enganar um ou outro casal com um orçamento mais apertado, mas depois de duas ou três “broncas” acabam por desaparecer… ou ressuscitam com outro nome e voltam a enganar mais dois ou três.
Os “porque sim” e os que “tiraram um curso” tanto podem revelar-se artistas talentosos, como verdadeiros fiascos.
Estes requerem uma análise atenta e uma verificação do curriculum.
É que, na maioria dos casos, praticam preços tão baixos que são uma tentação irresistível.
Justificam o cachet baixo com o parco curriculum… e atraem clientes de fracos recursos, como moscas.
É tal como as “marcas” da feira.
Não são realmente, mas até parecem.
Parecem um excelente negócio, mas na realidade representam um potencial prejuízo.
Para ter a certeza de que o dia do casamento não resulta num desastre, mais vale investir num profissional reputado e bem recomendado, do que num simpático vendedor de banha da cobra que apresenta um cachet substancialmente inferior  e até faz una descontos, mas evita mencionar que nunca foi DJ na vida e só “abraçou” a profissão por força das circunstâncias, qual “Ralph Lauren” da feira de Carcavelos.

JC Ferreira

Março/2014

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