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O fenómeno dos preços simbólicos, ou a baixaria que vai nos preços.

24 Maio

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O raio da crise é desculpa para tudo o que, num mundo normal, nem deveria existir!
A crise gera desemprego.
O desemprego gera habilidosos.
E, hoje em dia, o que é que qualquer habilidoso quer ser? A resposta é simples: Quer ser DJ ou então animador de casamentos (conforme a idade e a “rodagem” que tenham).
Alguns habilidosos até nem investem em equipamento, para ver se a coisa pega.
Conhecem alguem já estabelecido no mercado e toca de pedir emprestado, porque é para desenrascar o casamento de um “primo” ou outro parente afastado.
Cachet? é o que o cliente estiver disposto a pagar.
Já vi noivas(os) a afirmar que só podem dispor de 100,00 ou 150,00 euros para a animação.
Acho que, de quem anuncia que só pode gastar 100,00 ou 150,00 euros na animação do casamento (e mesmo assim quer mundos e fundos!), se deve esperar que faça a boda no McDonalds mais próximo e ofereça um McMenu do dia a cada convidado.
Mas, o que é grave, é que há sempre um habilidoso que aceita e se dispõe a ir fazer a festa por 100,00 ou 150,00 euros, ou até menos!
Os noivos cada vez são mais permissivos quanto à qualidade.
O que querem é ouvir 50 vezes o ai se te pego e o tchéréré, umas pimbalhadas e, sobretudo, um “animador” que diga umas graçolas e faça “coreografias”, tudo o mais barato possivel e de preferência com um desconto simpático.
Felizmente não vai tardar muito (dou, no máximo, até ao fim do ano) para os noivos abrirem os olhos de uma vez por todas e deixarem de acreditar em “preços simbólicos”, “descontos simpáticos” e “orçamentos Low-Cost”.
Se tudo “sobe”, por que raio é que o valor da animação de um casamento tem de “descer”??
Sobem os bens essenciais, sobem os combustiveis, sobem as portagens, sobem os impostos e os cachets dos músicos e dos DJ’s (e dos faztudo/DJ, já agora) em vez de subir também, tem de descer?? Que raio de economia é esta??
Pelos vistos há cada vez mais “músicos”, “Dj’s” e afins que não comem, não gastam combustivel, não pagam renda, circulam de borla nas auto-estradas e não pagam impostos (e também não compram música, nem equipamentos!).
Só assim se compreende os preços vergonhosamente baixos que praticam e o descaramento dos noivos que “só podem” pagar uma esmola ao tipo que lhes vai lá por a música a tocar e ainda tem de fazer de palhaço, coreografo e babysiter!
Haja moralidade, por favor!
Valorizem quem se dedica a esta actividade a 100% e deixem de acreditar no pai-natal dos preços baixos!

JCF

Mais uma introdução à crise

25 Abr

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Vamos falar da “crise”.

Ou melhor, vamos falar das diversas “crises” que estão a ser originadas pela “crise”.

Por mais que nos esforcemos por  provar o contrário, a verdade é que a animação é o “parente pobre” de qualquer orçamento para a organização de um casamento.

E, no entanto, é o mais recordado, juntamente com a “comida” servida pelo catering, se acreditarmos nas estatísticas e na memória dos convidados, um ano depois do casamento.

De qualquer casamento.

Mas, a “crise” obriga a apertar alguns cintos. E, qual o primeiro cinto a apertar?

O da animação, é claro.

Alguém, um dia, se convenceu que os animadores de casamentos (ou MOBILE DJ’s) ganham balurdios de dinheiro.

Há até quem afirme que os animadores ganham mais num dia (ou numas horas), do que muito boa gente ganha num mês de esforçado trabalho.

Esquecem-se do pesado investimento que um verdadeiro profissional tem de fazer, para se manter competitivo.

Para lhes “dar razão” até é com a maior facilidade que encontram “profissionais de fim-de-semana”, ou “paraquedistas”, que a troco de meia duzia de tostões prometem animar este mundo e o outro.

E os noivos, na dúvida e na falta de informação, acabam por contratar o serviço em promoção e a preço de saldo de um “profissional nas horas vagas”.

E tanto podem contratar um bom trabalho, como uma carga de trabalhos e transformar um “dia de sonho” num “filme de terror”,  com os convidados a debandar ainda antes do corte do bolo.

Sempre se disse e continua a dizer-se: o barato sai caro. Mas, infelizmente, há cada vez mais gente a acreditar na frase mágica: “low cost”.

E este “low cost” tem as “costas” cada vez mais largas.

Começou pelas lojas de chineses, avançou para as viagens aéreas, para os hoteis, para os restaurantes e tinha de chegar à animação de eventos, promovido por incompetentes sem experiência que pensam ter descoberto uma “mina” e montaram um esquema atractivo, para aliciar incautos.

O ridiculo chegou ao ponto de haver “profissionais” a anunciar que fazem animação de eventos por 50,00 euros! E “empresas” a propôr packs de 100,00 Euros com tudo incluído!

Estará tudo doido? Ou a aflição é tanta que qualquer dia aparecem anuncios de animação em troca de comida?

E, lamentavelmente, já não é só a falta de conhecimento que motiva muitos noivos a contratar este tipo de “profissionais”. Agora é, também, a ganância e o oportunismo, que os leva a pensar que estão a fazer um grande negócio a contratar um tipo sem curriculum e completamente desconhecido, só porque lhes apresentou um orçamento ridiculamente baixo.

Felizmente ainda há bom senso entre os profissionais (verdadeiros) e todos concordam que o género de cliente descrito no parágrafo anterior não nos interessa nem à semana!

O que é pena, pois a missão de um profissional é prestar um bom trabalho em troca de uma remuneração justa.

Há gostos para tudo e não podemos exigir que todos os noivos sejam fans de 80’s, 90’s, Pop/Rock e R&B. Há grandes apreciadores do género “pimba” e até para esses existem profissionais conhecedores e dedicados.

Mas, por favor, não chamem DJ a um individuo que “tirou um curso” há 15 dias, que arranjou um “traktor” e umas colunas fatelas ou que, por gostar muito de karaoke, resolveu investir num equipamento em segunda-mão e angariar clientes com a “promessa” de uma animação deslumbrante!

Esses são os “papa-orçamentos” que no dia do evento fazem como o David Carreira no célebre filme que se tornou viral no Youtube: esquecem-se de ligar o equipamento todo, nem precisam de phones e fazem misturas telepáticas enquanto batem palmas e demonstram coreografias.

Depois não se queixem.

JCF

 

Assim vai a crise!

20 Jan

Há mais de 20 anos que ouço falar na “crise”.
E há mais de 20 anos que, olhando à minha volta, vejo a crise a ser ultrapassada, de formas mais ou menos criativas e com mais ou menos esforço.
Não quero, de forma alguma, ignorar a real crise que se vive no nosso país, que se pode definir com 3 palavras apenas: “cada vez mais”.
Cada vez mais desemprego, cada vez mais impostos, cada vez mais inflação, cada vez mais insegurança. Mas, também, cada vez mais desenrascanço, cada vez mais “artistas”, cada vez mais falta de qualidade e cada vez mais aproveitamento.
Apesar da crise, continuam a haver casamentos e há cada vez mais “feiras” de casamento, sinal de que o mercado continua activo e de boa saúde.
Hoje quero apenas expor e desmistificar alguns efeitos da “crise” e lançar um alerta sobre algumas atitudes impensadas que começam a surgir, cada vez mais, fruto do pânico e do aproveitamento da situação.
Quando o pânico se instala entre os profissionais, a primeira tendência é baixar os preços, para angariar clientes.
Esta prática chama-se deflação e é o contrário de inflação (em que os preços sobem).
Em termos reais, resulta numa estagnação do mercado, com os “clientes” a aguardar que os preços baixem até ao limite do impensável e os fornecedores a baixar cada vez mais os preços, numa tentativa de angariar trabalho.
Quem beneficia com isto?
Ninguém.
O verdadeiro profissional vê-se pressionado pelos “profissionais de fim-de-semana” (que têm o rendimento familiar garantido por uma qualquer actividade que exercem em horário regular e que nada tem a ver com a animação, havendo até casos extremos em que fazem questão de dizer que “trabalham” na empresa XPTO, como se isso tivesse alguma coisa a ver com a qualidade do serviço que prestam) que, na desmedida ânsia do dinheiro extra e fácil, tratam logo de baixar os (já de si baixos) preços praticados.
Os potenciais clientes, normalmente casais de noivos, numa estranha combinação, partem em busca de orçamentos o mais baixo possível, sem qualquer preocupação com a qualidade.
E também não ganham nada, pois, garantidamente, quanto mais baixo for o orçamento, mais duvidosa será a qualidade do artista”.
E não fecham contrato com ninguém, sempre à espera que apareça um orçamento ainda mais baixo, ou com um desconto simpático.
É por isso que nos anúncios de fornecedores, cada um usa os adjectivos mais apelativos, para promover os seus serviços, numa área de mercado cada vez mais competitiva e onde começa a valer quase tudo (ou mesmo tudo).
O que é grave, não é o recurso a termos como “one man show”, nem a concorrência.
A concorrência é sinónimo de diversidade e é o que permite distinguir os bons profissionais dos profissionais menos bons (ou até francamente maus).
Por outro lado, em todas as culturas vemos exemplos de sucesso de verdadeiros “one man show”.
São pessoas talentosas, que merecem todo o respeito dos colegas de profissão.
Porém, há uma certa “zona cinzenta” onde se começam a incluir cada vez mais “profissionais”.
Nessa “zona cinzenta” estão os “génios” que imitam todas as vozes, tocam 7 (ou mais) instrumentos e ainda “põem CD’s a tocar”, no fim.
Ou seja, já não lhes basta competir no campo específico da “música ao vivo” onde “só quem tem unhas é que toca guitarra”, como começam também a meter-se em áreas que não lhes dizem respeito.
Além de desrespeitarem os DJ’s.
Seria bom que, de uma vez por todas, houvesse entendimento global quanto ao papel de cada um.
Sem músicos (de preferência talentosos) os DJ´s não teriam material para usar nos seus “Gigs”.
Mas, sem DJ´s a valorizar devidamente os trabalhos dos músicos, não haveria divulgação desses mesmos talentos.
É um circulo.
Que não devia ser vicioso.
Por isso, deixem de apregoar que fazem tudo e mais alguma coisa.
Isso não é uma mais-valia.
É uma menos-valia.
Não há cantores/ Dj’s, nem músicos/Dj’s, nem Karaoke Jockeys/Dj’s, nem animadores/DJ’s.
Há, isso sim, cantores que põem a tocar uns CD’s, músicos que quando estão cansados põem a tocar uns CD’s e Karaoke Jockeys (um nome engraçado para cantores amadores) que, entre duas sessões de tortura auditiva, põem a tocar uns CD’s.
Mas, nenhum é DJ.
Apesar de muitos se anunciarem como tal.
DJ não é quem quer, nem quem “tira um curso”, como se fosse um curso de culinária.
DJ é quem nasce com o necessário “feeling”. Quem, acima de tudo, ama a música. Toda a música. Quem sabe escolher a música. Quem conhece toda a música.
É quem, intuitivamente, sabe conjugar a música dos diferentes “músicos” e transformá-la num TODO que, visto (e ouvido) à distancia, resulta numa fusão perfeita de diferentes estados de alma.
Um bom DJ não precisa de “mandar bocas” para disfarçar os “pregos”.
Não é animador. É muito mais que isso.
Se for necessária a interacção com o público, deve recorrer-se a um MC (acrónico de Mestre de Cerimónias).
O “MC” conversa com o público, puxa pelo público, brinca com o público, canta com o público.
É o elo de ligação entre o público e o DJ.
Mas não substitui o DJ. Nem é o DJ.
O verdadeiro DJ é “mudo”, porque tem de estar concentrado naquilo que é mais exigido dele: observar reacções e decidir na hora qual o rumo que a festa deve tomar.
E um verdadeiro profissional até nem é muito mais caro.
Por vezes, uma diferença de 100 euros, é a diferença entre a garantia de um bom serviço e um serviço garantidamente mau.
Infelizmente essa diferença só se vê no dia do evento, quando já não é possível fazer nada.
Quando eu era miúdo, ouvia dizer: “cada macaco no seu galho”.
Agora há cada vez mais macacos a querer ocupar todos os galhos.