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Assim vai a crise!

20 Jan

Há mais de 20 anos que ouço falar na “crise”.
E há mais de 20 anos que, olhando à minha volta, vejo a crise a ser ultrapassada, de formas mais ou menos criativas e com mais ou menos esforço.
Não quero, de forma alguma, ignorar a real crise que se vive no nosso país, que se pode definir com 3 palavras apenas: “cada vez mais”.
Cada vez mais desemprego, cada vez mais impostos, cada vez mais inflação, cada vez mais insegurança. Mas, também, cada vez mais desenrascanço, cada vez mais “artistas”, cada vez mais falta de qualidade e cada vez mais aproveitamento.
Apesar da crise, continuam a haver casamentos e há cada vez mais “feiras” de casamento, sinal de que o mercado continua activo e de boa saúde.
Hoje quero apenas expor e desmistificar alguns efeitos da “crise” e lançar um alerta sobre algumas atitudes impensadas que começam a surgir, cada vez mais, fruto do pânico e do aproveitamento da situação.
Quando o pânico se instala entre os profissionais, a primeira tendência é baixar os preços, para angariar clientes.
Esta prática chama-se deflação e é o contrário de inflação (em que os preços sobem).
Em termos reais, resulta numa estagnação do mercado, com os “clientes” a aguardar que os preços baixem até ao limite do impensável e os fornecedores a baixar cada vez mais os preços, numa tentativa de angariar trabalho.
Quem beneficia com isto?
Ninguém.
O verdadeiro profissional vê-se pressionado pelos “profissionais de fim-de-semana” (que têm o rendimento familiar garantido por uma qualquer actividade que exercem em horário regular e que nada tem a ver com a animação, havendo até casos extremos em que fazem questão de dizer que “trabalham” na empresa XPTO, como se isso tivesse alguma coisa a ver com a qualidade do serviço que prestam) que, na desmedida ânsia do dinheiro extra e fácil, tratam logo de baixar os (já de si baixos) preços praticados.
Os potenciais clientes, normalmente casais de noivos, numa estranha combinação, partem em busca de orçamentos o mais baixo possível, sem qualquer preocupação com a qualidade.
E também não ganham nada, pois, garantidamente, quanto mais baixo for o orçamento, mais duvidosa será a qualidade do artista”.
E não fecham contrato com ninguém, sempre à espera que apareça um orçamento ainda mais baixo, ou com um desconto simpático.
É por isso que nos anúncios de fornecedores, cada um usa os adjectivos mais apelativos, para promover os seus serviços, numa área de mercado cada vez mais competitiva e onde começa a valer quase tudo (ou mesmo tudo).
O que é grave, não é o recurso a termos como “one man show”, nem a concorrência.
A concorrência é sinónimo de diversidade e é o que permite distinguir os bons profissionais dos profissionais menos bons (ou até francamente maus).
Por outro lado, em todas as culturas vemos exemplos de sucesso de verdadeiros “one man show”.
São pessoas talentosas, que merecem todo o respeito dos colegas de profissão.
Porém, há uma certa “zona cinzenta” onde se começam a incluir cada vez mais “profissionais”.
Nessa “zona cinzenta” estão os “génios” que imitam todas as vozes, tocam 7 (ou mais) instrumentos e ainda “põem CD’s a tocar”, no fim.
Ou seja, já não lhes basta competir no campo específico da “música ao vivo” onde “só quem tem unhas é que toca guitarra”, como começam também a meter-se em áreas que não lhes dizem respeito.
Além de desrespeitarem os DJ’s.
Seria bom que, de uma vez por todas, houvesse entendimento global quanto ao papel de cada um.
Sem músicos (de preferência talentosos) os DJ´s não teriam material para usar nos seus “Gigs”.
Mas, sem DJ´s a valorizar devidamente os trabalhos dos músicos, não haveria divulgação desses mesmos talentos.
É um circulo.
Que não devia ser vicioso.
Por isso, deixem de apregoar que fazem tudo e mais alguma coisa.
Isso não é uma mais-valia.
É uma menos-valia.
Não há cantores/ Dj’s, nem músicos/Dj’s, nem Karaoke Jockeys/Dj’s, nem animadores/DJ’s.
Há, isso sim, cantores que põem a tocar uns CD’s, músicos que quando estão cansados põem a tocar uns CD’s e Karaoke Jockeys (um nome engraçado para cantores amadores) que, entre duas sessões de tortura auditiva, põem a tocar uns CD’s.
Mas, nenhum é DJ.
Apesar de muitos se anunciarem como tal.
DJ não é quem quer, nem quem “tira um curso”, como se fosse um curso de culinária.
DJ é quem nasce com o necessário “feeling”. Quem, acima de tudo, ama a música. Toda a música. Quem sabe escolher a música. Quem conhece toda a música.
É quem, intuitivamente, sabe conjugar a música dos diferentes “músicos” e transformá-la num TODO que, visto (e ouvido) à distancia, resulta numa fusão perfeita de diferentes estados de alma.
Um bom DJ não precisa de “mandar bocas” para disfarçar os “pregos”.
Não é animador. É muito mais que isso.
Se for necessária a interacção com o público, deve recorrer-se a um MC (acrónico de Mestre de Cerimónias).
O “MC” conversa com o público, puxa pelo público, brinca com o público, canta com o público.
É o elo de ligação entre o público e o DJ.
Mas não substitui o DJ. Nem é o DJ.
O verdadeiro DJ é “mudo”, porque tem de estar concentrado naquilo que é mais exigido dele: observar reacções e decidir na hora qual o rumo que a festa deve tomar.
E um verdadeiro profissional até nem é muito mais caro.
Por vezes, uma diferença de 100 euros, é a diferença entre a garantia de um bom serviço e um serviço garantidamente mau.
Infelizmente essa diferença só se vê no dia do evento, quando já não é possível fazer nada.
Quando eu era miúdo, ouvia dizer: “cada macaco no seu galho”.
Agora há cada vez mais macacos a querer ocupar todos os galhos.

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